A voz de uma geração em silêncio: Morre o cantor Netinho, aos 60 anos, em Salvador

Intérprete do fenômeno atemporal "Milla" e pioneiro na expansão do axé music pelo país, artista enfrentava complicações de um linfoma não Hodgkin.

Por Redação Mais FM 93,5
13/10/2026 às 17:22

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A música brasileira se despede de uma de suas vozes mais solares e marcantes dos anos 1990. O cantor e compositor Netinho faleceu na manhã desta terça-feira (13 de outubro), em Salvador, aos 60 anos. O músico enfrentava um linfoma não Hodgkin de células B e não resistiu a um quadro de falência renal associado à disfunção múltipla de órgãos.


Conforme nota divulgada por sua assessoria nas redes sociais, o artista partiu de forma serena. Nos últimos meses, enquanto passava por sessões de quimioterapia, Netinho fazia questão de manifestar gratidão pela própria trajetória:

"Partirei feliz, realizado, pois a vida me deu muito mais do que eu sonhei. Levarei comigo o sorriso de cada fã que foi feliz com a minha arte".


Seguindo um pedido expresso deixado pelo cantor, o velório e a cremação serão cerimônias estritamente reservadas a familiares e amigos próximos.


Da engenharia ao topo das paradas



Batizado Ernesto de Souza Andrade Júnior, o cantor nasceu em Santo Antônio de Jesus, no interior baiano, em 1966. Aos nove anos, após perder o pai precocemente em um acidente de trânsito, transferiu-se com a família para a capital, Salvador. Foi na capital que aprendeu a tocar violão de forma autodidata e, enquanto cursava a faculdade de Engenharia Civil, decidiu abraçar a música profissionalmente.


Sua ascensão no Carnaval de Salvador coincidiu com a gênese da consolidação do axé como fenômeno de massa. Em 1988, à frente da Banda Beijo, Netinho conquistou o Brasil. Um ano depois, fez história ao se tornar o primeiro artista do gênero a pisar no palco do Domingão do Faustão, programa de maior audiência televisiva da época. Em 1990, integrou a histórica expedição que levou, de navio, o primeiro trio elétrico para a Europa durante a Copa do Mundo na Itália.


O hino "Milla" e o legado cultural



Em carreira solo a partir dos anos 1990, Netinho colecionou sucessos que embalaram micaretas e rádios de norte a sul, a exemplo de "A Vida É Festa", "Menina", "Pra Te Ter Aqui" e "Vem Me Dar Um Beijo". Nenhuma canção, contudo, atingiu o patamar de "Milla" (1996), faixa que transcendeu o circuito carnavalesco e se tornou um dos maiores clássicos pop da música brasileira.


O artista deixa uma filha, Bruna, nascida em 1998, além de um repertório que ajudou a transformar a energia da Bahia em patrimônio sonoro de todo o Brasil.

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